SOBRE A

UM POUCO DA HISTÓRIA - KELL SMITH

Era uma vez…. Quis o destino que a introdução típica de contos de fada desse nome a
uma música que parou o Brasil. Mas foi apenas a primeira página da história de uma
cantora e compositora que se prova muito maior. Agora, Kell Smith lança “O Velho e Bom Novo”, pela Altafonte, seu segundo álbum, inaugurando uma nova fase de sua carreira.
Com 12 canções autorais, 8 delas em parceria com o maestro e produtor musical Bruno Alves, o disco é um convite poético à reflexão sobre vulnerabilidades, autoconhecimento e amor.
O álbum marca o amadurecimento da artista, que há pouco mais de 5 anos sequer sonhava em subir em um palco. Mas, em 2019, chegou ao topo das paradas de rádios, plataformas de streaming e entrou em milhões de lares através de programas de tv.
Talvez uma das maiores aliadas de sua capacidade de compor seja a vivência. Filha de
missionários, Kell morou em todas as regiões do Brasil. 
Foi nestas andanças pelo Brasil que, aos 12 anos, Kell teve seu primeiro contato com a
música não religiosa. Seu pai a presenteou com uma vitrola achada no lixo e o disco “Falso Brilhante” (1976), de Elis Regina. A poesia de Belchior, Aldir Blanc e a voz inigualável da cantora gaúcha mudaram sua vida. Dez anos depois, o pai lhe disse que “não adianta você ser útil só para a família, você deve ser útil aos que você não sabe o nome”.
Foi a senha para decifrar que a música seria a ferramenta capaz de tocar o outro
profundamente. Kell encontrava um ponto de virada, sua vida ganhou um novo norte:
levar sua voz ao mundo e transmitir sua mensagem às pessoas.

“Eu sei que a música salva. Ela me salvou de mim. Ela me fez traduzir aquilo que era tão difícil verbalizar, sobre mim, minhas histórias, histórias que não são minhas, mas sei que são tão reais. A música escolhe.”
Kell Smith

Anos mais tarde, em um momento do showbiz quando confundem o artista com produto,
em “O Velho e Bom Novo”, Kell Smith trafega na contramão sem pedir licença. Dona de afinamento e polivalência vocal rara, seu trabalho é visceral. Nada de seguir fórmulas prontas, ou botar a voz em letras sob encomenda, feitas a muitas mãos em escritórios de
produção em massa, para agradar nichos friamente calculados por departamentos de marketing. O trabalho de Kell é original, por vezes biográfico. Não se trata de números,
mas de emoção e sentimento.
Com 27 anos recém-completos, Kell traz consigo a inquietude e capacidade comunicativa
de sua geração. Altamente engajada nas suas redes sociais, mantém uma relação extremamente próxima com aos fãs, para muito além das curtidas e comentários. A interação diária reflete diretamente nas composições da artista, que troca impressões, dialoga e chega a abrir enquetes para sugerirem o tema de suas composições. Foi o caso de “Eu Vou Conseguir, a 5a faixa de “O Velho e Bom Novo”.
Mas, antes disso, o álbum diz a que veio com “Seja Gentil”, composta após encarar uma crise de ansiedade, a música dialoga sobre amor próprio e autogentileza, com groove marcado por baixo e guitarra. Em seguida, “Camomila” traz um alerta para como manter a calma em meio a correria do dia a dia, com um pé no reggae jamaicano tradicional e outro no pop.
O disco segue na balada “A Terra Firme é Lá”, com a suavidade do piano dando o tom da
navegação em um mar de esperança. Em “Vulnerável” as palavras de Kell escrevem as páginas de um diário sobre a importância de assumir a vulnerabilidade, procurar mais
leveza e perdoar as próprias falhas.
Logo depois, chegamos à supracitada “Eu Vou Conseguir!”, uma mensagem de força contra a depressão, tema sugerido pelos fãs da artista através das redes sociais. O lado A do álbum se despede com “Carta Pra Você”, que aborda o luto pela perda, em forma de declaração de amor a quem está distante. Triste e bonita, melancólica e cheia de esperança, a faixa nos deixa na expectativa para uma breve chegada do lado B.

“O que nos une é o que nós sentimos. Há sempre um fio divino, mágico, que nos conecta. O mais bonito que eu conheço é a música”.
Kell Smith